Muito me entristecem as atitudes da Glória Perez e da Montenegro e Raman de tentar sabotar o trabalho de pesquisa para a biografia.
Eu li um artigo no site do Ministério da Cultura, chamado Roberto Carlos e a Biografia Não-autorizada: Um novo censor nas paradas que discute a proibição do livro Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar de Araújo, por determinação judicial. Selecionei alguns trechos interessantes:
Em entrevista, o jornalista e escritor Lira Neto avaliou que “provavelmente criou-se uma jurisprudência perigosa, contra o gênero biografia e contra o próprio exercício da historiografia. Se a gente depender do biografado e dos herdeiros para escrever sobre alguém, é simplesmente a falência do gênero”.
“Confesso que quando vejo na capa de um livro [o aviso] biografia autorizada, eu não abro o livro”, disse em entrevista ao programa o historiador José Murilo de Carvalho. “Não tem valor: a biografia autorizada é uma fraude porque está dizendo que o biógrafo está escrevendo aquilo que o biografado gostaria que ele escrevesse.”
“O personagem público(o cantor Roberto Carlos faz parte da nossa história e o proprietário da história do Brasil é a sua população”, avaliou Luiz Schwarcz. “O que está acontecendo é que estamos sendo expropriados de um bem, da nossa própria história.”
Laura avaliou que biografias de figuras históricas são pontuadas por momentos de grande dimensão, mas também há tropeços, o que é natural do ser humano. “O trabalho do biógrafo é extremamente importante e a prerrogativa da autonomia dele deve ser preservada”, disse. “Estamos com mais de 11.000 obras para serem destruídas e isso é um absurdo”.
Laura disse que achou a intervenção de Paulo Coelho na cena pública perfeita, forte e em cima do fato. E recordou o caso do próprio Paulo Coelho, que tem uma biografia sendo escrita por Fernando Morais e abriu todos os seus arquivos para o biógrafo. No entanto, Coelho já tem um sem-número de biografias não-autorizadas publicadas no mundo e nem por isso faz grande caso. Para ela, isso é conseqüência da personalidade de cada pessoa pública. “Roberto Carlos me intriga muito quando diz que a sua história é seu patrimônio. Mas não é: a história dele é feita a milhões de mãos”, afirmou.
Isso me dá forças para continuar o meu trabalho. Viva a liberdade de expressão !


